10 dezembro 2008

Já disse uma vez:

Apesar de não parecer, sou uma pessoa muito tolerante.
Quero dizer, eu me esforço horrores para ser o mais tolerante que minha persistência for capaz.
Obviamente que tentar nem sempre significa conseguir, e o que relato logo abaixo é, sem dúvidas, uma coisa que me faz descer dos tamancos – que sequer uso.

Pois bem.
Todos aqui sabem que o planeta está ferrado.
Como todo mundo também sabe que os maiores poluidores não estão muito interessados em colaborar.
No entanto, se as pessoas (isto é, eu e você) fizessem a sua microscópica parte, reverteríamos consideravelmente a situação ao nosso favor.
Isso é fato.
Mas, ao invés de fazer o mínimo, o que vemos e fazemos por aí?
Banho de duas horas. Torneira aberta enquanto se lava a louça, a roupa, enquanto se escova os dentes. Luzes acesas o tempo todo, geladeiras velhas, torneiras pingando.
Desperdício.
Desperdício.
Desperdício.
E o ponto – o pivô da manifestação da minha intolerância – é que as pessoas que conheço, que esquecem torneiras abertas e luzes acesas, são pessoas tecnicamente bem esclarecidas, formadas, estudiosas, intelectuais e blábláblá.
Não é um pobre-coitado que diz “dá uma moeda tio”.
É um sujeito que lê um monte livros, faz um monte de cursos, estuda até virar um asno e, às vezes – GLUP! – dá aulas.
Isso, para mim, é o exemplo clássico da burrice.
E - é importante frisar - existe uma diferença imensa entre o burro e o ignorante.
O ignorante é o cara que nunca quis ou teve chance de estudar, e mal e mal sabe assinar o nome.
Mas o burro?
O burro não!
Estudou, se formou, trabalhou, estudou, se informou, estudou, trabalhou, estudou.
E sabem no que deu?
Em nada.
Não serviu para absolutamente nada.
Poderia ter parado na segunda série que daria na mesma.
Isto é, sabem que o mundo está fodido, fazem discursos sobre causas ambientais, acessam o site da Globo, denunciam uma queimada e vão dormir em paz.

Então pessoal, não me obriguem a desenhar:
Tentem não jogar fora tanta água, tanta energia, tantos papéis.
Parem de achar que vocês não têm nada a ver com isso.
Não precisam se afiliar ao Greenpeace e invadir navios pesqueiros clandestinos, basta que desliguem a luz, consertem a geladeira, dêem um jeito naquela maldita torneira pingando.

E também me desculpem o mau jeito.
Mas se intolerância é defeito, demagogia, para mim, deveria ser crime.