05 dezembro 2008

Fico aqui,

sentada nesse banquinho, pensando o que esta senhora chamada Vida espera de mim.
Porque fica parada ali na porta, me olhando com essa expressão de quem não tem expressão alguma.
Fico aqui pensando o que eu espero de mim, e o que meus outros eus esperam deste eu, que está aqui, sentado nesse banquinho.
Penso em que inseto, afinal, se metamorfoseou Gregor Samsa e no que existe depois daquela porta, no fundo daquele corredor, o que me espera no dia depois do dia de amanhã.
Terei culhão para agüentar, quando vier, e terei culhão para agüentar, caso nunca venha?
As pessoas me enlouquecem, e eu sou a pessoa que mais me enlouquece.
Fico o dia inteiro pensando sobre coisas que não interessam quando o aluguel está para vencer, quando idiotas pervertidos vendem livros e pessoas bacanas passam fome.
Falta inspiração, mas a que existe já é suficiente para me afogar.
E nadando no meio desta poça de inspiração, eu perco o fôlego, me canso.
Afundo.
Bóio que nem merda.

Escrevi dois textos hoje, e ambos ficaram um porre.
Este é um deles.
Nem tudo dá certo quando coisa nenhuma é certa.
Queria morar numa cidade grande, e andar pelas ruas me sentindo um número nas estatísticas, esbarrando em outros números de estatísticas que pouco estão se lixando para mim ou para qualquer outra coisa.
Mas também quero morar numa cidade pequenina e gostosinha, onde o padeiro e o jornaleiro e a dona do botequim me conheçam, me respeitem, me adorem e me considerem genial.
Queria conversar com as pessoas, e conhecê-las, mas quero que elas me esqueçam, e o número do meu telefone, e a rua onde eu moro.
- Onde eu te encontro?
- Você não me encontra. Simples assim.
Queria viver do mesmo jeito que Deus criou a mandioca, e queria poder escrever sobre cú sem parecer uma adolescente idiota que leu Bukowski e se deslumbrou.

Banquinho desconfortável esse aqui.
Senhora indiscreta aquela ali, parada na porta com expressão de quem não tem expressão alguma.
Perguntar demais nunca foi muito inteligente.
O que será que eu penso de mim?