Aqui no Rio Grande do Sul, como em qualquer parte deste Brasilzão, existem dois times antagonistas capazes de transformar simples jogos de futebol em verdadeiros clássicos do esporte: o Grêmio e o Internacional – o Gre-Nal.
Rivais antigos, tradicionais, atemporais; praticamente co-dependentes.
As torcidas vivem para secar uma a outra e, muitas vezes, são capazes de ficar mais contentes com a derrota do adversário do que, propriamente, com a vitória do seu time do coração.
Vocês sabem bem como é.
O caso é que, neste momento, o Grêmio é líder isolado do Campeonato Brasileiro, tendo em seu encalço o São Paulo que, com a mesma pontuação do tricolor gaúcho, somente possui uma derrota a mais.
E hoje, justamente hoje, o São Paulo joga contra quem, hã, hã, hã?
Exatamente.
Contra o Internacional.
Ou seja: se o colorado perder, estará colaborando para desbancar seu maior e mais consagrado rival da liderança; se ganhar, estará ajudando o Grêmio a manter sua confortável posição.
A vida arma dessas arapucas.
O fato é que faz uma semana que não se fala de outra coisa por estas bandas: os jornais armaram enquetes e fizeram pesquisas, os comentaristas esportivos piraram a cabeça, torcedores foram entrevistados perguntando o que achavam disso tudo e para quem iriam, no final das contas, torcer.
Virou capa de jornal, virou matéria especial no Lance Final.
Uma verdadeira mobilização.
E todo esse bafafá me colocou a pensar sobre uma coisa: assim como no futebol, em nossas vidas também gostamos de jogar desta maneira equivocada e pouco segura.
Explico melhor: se um time está preparado, e possui jogadores qualificados, e um plano de jogo decente e sério, isso o levará inevitavelmente para a vitória, para o título de campeão, certo?
Então se nós, enquanto pessoas e enquanto cidadãos, nos condicionarmos a sermos melhores, e buscarmos não cometer mais tantos erros, e procurarmos modificar em nós os erros que gostaríamos de modificar no mundo, e tentarmos alcançar nossos objetivos de um jeito decente e sério, cedo ou tarde, chegaremos lá.
Não precisamos sabotar nossos concorrentes, nem torcer pela sua derrota, pois estaremos fazendo o nosso melhor, e é através do nosso melhor que chegaremos aonde pretendemos chegar.
Acontece que, nem nos estádios nem em nossas próprias vidas, agimos assim.
Erramos o tempo inteiro e, o pior: repetimos os mesmos erros o tempo inteiro.
Somos incompetentes, mal preparados e absolutamente preguiçosos.
O que acontece?
Através dos nossos erros consecutivos, deixamos de ser os únicos responsáveis pelo controle de nossa vitória e, então, nos vemos obrigados a dividir este encargo com outros, que nem sempre terão a boa intenção de nos ajudar.
Precisamos fazer o que nos compete fazer, nada mais.
E não adianta vir com essa cara de eu-não-sei-o-que-me-compete-fazer, porque você sabe sim.
Pode estar desanimado ou de má vontade, mas sabe exatamente que atitudes precisa tomar para conseguir o que deseja – seja lá o que possa ser.
Evidentemente que, mesmo dando o melhor que temos para dar, encontraremos pelo caminho adversidades, problemas e encheções de saco: algumas vezes daremos azar, outras vezes pensaremos em desistir, e quase sempre tentaremos encontrar um culpado, e teremos dias ruins e algumas pessoas vão querer nos derrubar.
Mas seguindo adiante, firmes naquilo que chamamos de propósitos, não tem jeito: é nós nas cabeças.
Afinal se o outro precisa errar para você acertar, então é porque você está ferrado.
Em tempo:
Este texto foi escrito na tarde de domingo, dia 2 de novembro, antes da trigésima terceira rodada do brasileirão 2008. Considerei significativo relatar aqui que o Internacional perdeu de 3 a zero para o São Paulo (que subiu para o primeiro lugar) e o Grêmio empatou em um a um (caindo para terceiro).
Rá!
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