03 novembro 2008

Versus

Aqui no Rio Grande do Sul, como em qualquer parte deste Brasilzão, existem dois times antagonistas capazes de transformar simples jogos de futebol em verdadeiros clássicos do esporte: o Grêmio e o Internacional – o Gre-Nal.
Rivais antigos, tradicionais, atemporais; praticamente co-dependentes.
As torcidas vivem para secar uma a outra e, muitas vezes, são capazes de ficar mais contentes com a derrota do adversário do que, propriamente, com a vitória do seu time do coração.
Vocês sabem bem como é.
O caso é que, neste momento, o Grêmio é líder isolado do Campeonato Brasileiro, tendo em seu encalço o São Paulo que, com a mesma pontuação do tricolor gaúcho, somente possui uma derrota a mais.
E hoje, justamente hoje, o São Paulo joga contra quem, hã, hã, hã?
Exatamente.
Contra o Internacional.
Ou seja: se o colorado perder, estará colaborando para desbancar seu maior e mais consagrado rival da liderança; se ganhar, estará ajudando o Grêmio a manter sua confortável posição.
A vida arma dessas arapucas.
O fato é que faz uma semana que não se fala de outra coisa por estas bandas: os jornais armaram enquetes e fizeram pesquisas, os comentaristas esportivos piraram a cabeça, torcedores foram entrevistados perguntando o que achavam disso tudo e para quem iriam, no final das contas, torcer.
Virou capa de jornal, virou matéria especial no Lance Final.
Uma verdadeira mobilização.
E todo esse bafafá me colocou a pensar sobre uma coisa: assim como no futebol, em nossas vidas também gostamos de jogar desta maneira equivocada e pouco segura.

Explico melhor: se um time está preparado, e possui jogadores qualificados, e um plano de jogo decente e sério, isso o levará inevitavelmente para a vitória, para o título de campeão, certo?
Então se nós, enquanto pessoas e enquanto cidadãos, nos condicionarmos a sermos melhores, e buscarmos não cometer mais tantos erros, e procurarmos modificar em nós os erros que gostaríamos de modificar no mundo, e tentarmos alcançar nossos objetivos de um jeito decente e sério, cedo ou tarde, chegaremos lá.
Não precisamos sabotar nossos concorrentes, nem torcer pela sua derrota, pois estaremos fazendo o nosso melhor, e é através do nosso melhor que chegaremos aonde pretendemos chegar.

Acontece que, nem nos estádios nem em nossas próprias vidas, agimos assim.
Erramos o tempo inteiro e, o pior: repetimos os mesmos erros o tempo inteiro.
Somos incompetentes, mal preparados e absolutamente preguiçosos.
O que acontece?
Através dos nossos erros consecutivos, deixamos de ser os únicos responsáveis pelo controle de nossa vitória e, então, nos vemos obrigados a dividir este encargo com outros, que nem sempre terão a boa intenção de nos ajudar.
Precisamos fazer o que nos compete fazer, nada mais.
E não adianta vir com essa cara de eu-não-sei-o-que-me-compete-fazer, porque você sabe sim.
Pode estar desanimado ou de má vontade, mas sabe exatamente que atitudes precisa tomar para conseguir o que deseja – seja lá o que possa ser.

Evidentemente que, mesmo dando o melhor que temos para dar, encontraremos pelo caminho adversidades, problemas e encheções de saco: algumas vezes daremos azar, outras vezes pensaremos em desistir, e quase sempre tentaremos encontrar um culpado, e teremos dias ruins e algumas pessoas vão querer nos derrubar.
Mas seguindo adiante, firmes naquilo que chamamos de propósitos, não tem jeito: é nós nas cabeças.
Afinal se o outro precisa errar para você acertar, então é porque você está ferrado.

Em tempo:
Este texto foi escrito na tarde de domingo, dia 2 de novembro, antes da trigésima terceira rodada do brasileirão 2008. Considerei significativo relatar aqui que o Internacional perdeu de 3 a zero para o São Paulo (que subiu para o primeiro lugar) e o Grêmio empatou em um a um (caindo para terceiro).
Rá!