03 outubro 2008

Pára tudo!

Acabei de encontrar na internéte um poema do Bukowski, ainda inédito para mim.
E como pensei que talvez fosse inédito para vocês também, resolvi fazer a boa ação de hoje postando-o aqui, para o deleite de todos.
Afinal, ele não decepciona nunca.


A ÍNDOLE DA MULTIDÃO

Há suficiente traição, ódio,
violência,
absurdo no ser humano comum
para abastecer qualquer exército a qualquer
momento.
E os melhores assassinos são aqueles
que pregam contra o assassinato.
E os melhores no ódio
são aqueles
que pregam amor.
E os melhores na guerra
- enfim - são aqueles que pregam paz.

Aqueles que pregam Deus
Precisam de Deus
Aqueles que pregam Paz
Não têm Paz.
Aqueles que pregam amor
não tem amor.
Cuidado com os pregadores.
Cuidado com os conhecedores.

Cuidado
com aqueles
que estão sempre
lendo
livros.

Cuidado com aqueles que ou destestam
a pobreza ou orgulham-se dela.

Cuidado com aqueles rápidos em elogiar
pois eles precisam de louvor em retorno.

Cuidado com aqueles rápidos em censurar:
eles temem o que
desconhecem.

Cuidado com aqueles que procuram constantemente
multidões;
eles não são nada
sozinhos.

Cuidado
O Homem Vulgar
A Mulher Vulgar
Cuidado com o amor deles;
seu amor é vulgar, busca vulgaridade.
Mas há força em seu ódio
Há força suficiente em seu ódio para matá-lo,
para matar qualquer um.

Não esperando solidão
não entendendo solidão
Eles tentarão destruir
qualquer coisa
que difira
deles mesmos.

Não sendo capazes
de criar arte
eles não
entenderão a arte.

Considerarão seu fracasso
como criadores
apenas como falha
do mundo.

Não sendo capazes de amar plenamente
eles acreditarão que seu amor é
incompleto.
Então te odiarão.

E seu ódio será perfeito
como um diamante brilhante
como uma faca
como uma montanha
como um tigre
como cicuta

Sua mais refinada
arte.