30 outubro 2008

A pergunta que não quer calar é:

Tolerância zero é a solução?
Pensei muito até escrever este texto.
Porque realmente não sabia se era, ou não, a melhor saída.
Mas após muito pensar e, avaliando situações reais, envolvendo pessoas reais - inclusive do meu parco convívio, concluo, tristemente: sim; tolerância zero, definitivamente, é a solução.

Darei exemplos, até porque gosto de dar exemplos: determinada pessoa te aborrece, certo?
Ela sabe que te aborrece, e parece não se importar nem um pouco com isso, pelo contrário.
Você a avisa para não mais lhe aborrecer, você a alerta que, caso ela insista, muito em breve não poderá mais responder pelos seus atos.
No entanto ela ignora, ela duvida que você tenha coragem.
Você mais uma vez a previne, e conversa, explica, desenha, e ela nada, só te aborrecendo.
Então, numa quarta-feira qualquer, esta determinada pessoa te pega num dia ruim e, sem cerimônias nem meias palavras, você a manda tomar no olho de seu respectivo cú e desaparecer da sua frente imediatamente. Às vezes se faz necessários alguns bofetões, mas geralmente palavras de baixo calão resolvem a questão sem que necessário seja deixar feridos.
E, desde então, todos os aborrecimentos que esta pessoa te causava desaparecem, como num passe de mágica.

É ou não é assim?

A desgraçada poderia muito bem ouvir seus argumentos, pensar no assunto, compreender que estava passando dos limites e te enchendo além da conta e simplesmente parar, sem que preciso fosse gritar e proferir palavrões.
Mas não.
Enquanto não tomam um chacoalhão, enquanto não escutam uns berros e levam uns tabefes, não sossegam.
Nunca vão por bem.
Só no tranco.

Não sei se vocês viram na tevê, sobre o caso de um sujeito que comprou uma geladeira.
Pagou a vista, tudo certinho, mas a geladeira simplesmente não funcionava.
O que ele fez?
Como um cidadão ponderado, telefonou para a loja, telefonou para o Procon, telefonou para a fábrica e outra vez para loja, e outra vez para o Procon, e outra vez para a fábrica.
Passaram-se 4 meses e o infeliz (que, relembrando: pagou a vista) continuava com sua geladeira estragada.
Um belo dia, exaurido em suas forças civilizatórias, o rapaz carregou a dita-cuja até a frente da loja e, com uma foice, a furou em mil pedaços.
A jogou no chão, pisou em cima, sapateou, fez um gritedo.
Juntou gente para ver e, claro, alguém filmou tudo: o pobre consumidor lá, desesperado, descontando toda sua fúria, sua raiva e sua selvageria em cima do eletrodoméstico defeituoso.
O que aconteceu?
De um minuto para o outro, a loja se comprometeu a dar ao pobre homem uma geladeira nova.
Óquei, que legal.
Mas... eles não poderiam ter feito isso antes?

Particularmente, não gosto de escarcéu.
Não gosto de ofender as pessoas, nem de sentir ímpetos assassinos; como também não gosto de pessoas destruindo geladeiras no meio da rua.
Mas eles forçam a barra, insistem, nos obrigam a tomar uma atitude drástica.

Óbvio: nossa primeira atitude deve ser cortês.
Devemos pedir, gentilmente, que o filhodaputa dê o fora.
Mas depois de quatro meses, não pense duas vezes antes de pegar sua foice e partir para a ignorância.
Acredite, é a única linguagem que eles entendem.