13 outubro 2008

Mini Miss

Muitas coisas são bizarras nessa vida.
O Michael Jackson, por exemplo.
Mas nada, absolutamente nada, se compara a isso:

Aliás, o que é isso?
Isso é uma criança toda emperiquitada que, sem dúvidas, possui uma mãe frustrada e louca que “sempre-quis-ser-modelo-mas-nunca-realizou-seu-sonho” e, agora, joga impunemente para cima da pobre filhota o fardo e a responsabilidade pelo que considera seu maior fracasso.
Se não é isso, acredite: é quase isso.
As pobres menininhas ainda nem aprenderam a escrever o próprio nome e já estão entupidas de maquiagem, cabelo ornamentado, cambaleantes em cima de um salto-alto, fazendo caras e bocas sensuais.
Tratadas pelas suas (pobre-coitadas) mães como legítimas bonequinhas de luxo.
Como Barbies.

A garotinha da foto, para quem não sabe, se chamada Natália Stangherlin, tem cinco anos e foi coroada Mini Miss Mundo 2008.
Ela chupa bico, toma mamadeira e é fã do Tom & Jerry, mas também adora fazer luzes no cabelo, só sai de casa maquiada, possui uma coleção de vestidos para festas e suas grifes preferidas são Dior e Lancôme.
Eu disse Dior e Lancôme!
Que medo.
Que feio.
Que saco.

E Natália não está sozinha.
Eu mesmo conheço crianças assim.
E não são nem uma nem duas, infelizmente.
Meninas de cinco, seis anos, que parecem mais adultas do que a minha mãe nos seus modos de ser, de pensar, de se vestir.
Crianças sexualizadas, sensualizadas, vulgarizadas, um terror!
E o mundo cheio de pervertidos e tarados dando sopa por aí.
Lembram da pequena JonBenet Ramsey?
Eu lembro.

E é justamente por lembrar que, sinceramente, não consigo entender.
Toda vez que enxergo uma criança mais enfeitada que pinheirinho de natal, cheia de batom e cílios postiços, fazendo poses ridiculamente sensuais, com uma faixa dependurada no pescoço, tenho vontade de desistir de tudo e virar uma eremita solitária do alto de uma montanha qualquer.
Todos deveriam ir para a cadeia: pais, mães, jurados e simpatizantes.
Porque o que fazem com essas pobrezinhas é crime - e dos mais hediondos: além de colocá-las a mercê desta vasta gama de pedófilos e psicopatas em geral, essas meninas ainda são estimuladas sexualmente desde muito cedo, e super-valorizam uma beleza que ainda está em formação.

Uma criança de cinco anos precisa ser uma criança de cinco anos: brincar como uma criança de cinco anos brinca, estudar como uma criança de cinco anos estuda, se preocupar com o que se preocupa uma criança de cinco anos.
Fazer coisas que crianças de cinco anos fazem.
Deixem para depois essa bobagem de grife favorita, luzes no cabelo e concursos de beleza.
Permitam que essas crianças cresçam e tenham, pelo menos, a oportunidade de escolher se realmente querem entrar para esse mundo cruel e competitivo onde o que vale é (somente) a beleza e a perfeição.
Permitam que elas escolham não fazer parte disso tudo.