14 outubro 2008

Livre-Arbítrio.

Vagando pela rede ociosamente atrás de blogues maneiros, me deparei com um, muito interessante, chamado Sabe de uma coisa?, de uma menina de nome Flávia Brito.
Li alguns de seus textos e, quando resolvi comentar, vi o que considerei a melhor e mais clara definição para um dos problemas mais graves e sérios e tristes e preocupantes da nossa geração intelectualóide.
Ela escreveu: Os comentários deste blog não são moderados. Fale à vontade, se expresse, xingue o juiz, chame um palavrão, contanto que o conteúdo esteja de alguma forma relacionado ao texto em questão. Comentários ofensivos, agressivos e afins, contudo, serão sumariamente deletados - "libertinagem de expressão" é prejudicial à saúde.
Libertinagem de expressão.
É exatamente isso.
Sem tirar nem pôr.
Não sei quem inventou, mas traduz com requinte e detalhe uma (péssima, porém latente) característica da geração pós-ditadura (sim, a nossa): a falta de noção sobre o que fazer com a liberdade que recebemos de mão beijada, embrulhada para presente, numa bandeja.
Pois, enquanto há poucos anos atrás nossos pais não podiam sequer se reunir na casa de algum amigo para encher a cara, hoje nós podemos o que quisermos: falar mal, emitir opiniões sem medo de ser feliz, palpitar, opinar, julgar, condenar, fazer e acontecer.
Obviamente, quem fala o que quer ouve o que não quer, mas aqui surge um novo personagem, que permitiu às pessoas agredirem, maltratarem e ofenderem a quem bem desejar sem mostrar a cara: a internétê.
Seja através de blogues, orkute, seja através de um simples e-mail, nada é mais fácil e prático do que inventar um nome e se colocar a atormentar a vida alheia.
E pelos motivos mais tolos: ciuminho, invejinha, intriguinha, fofoquinha e outras coisinhas igualmente pequenas e avarentas.
Isso é libertinagem de expressão: é utilizar da forma mais estúpida o maior bem que um povo pode conquistar, que é o direito de ir e vir, de falar e ouvir, de perguntar e responder.
É aproveitar-se do anonimato para, sorrateiramente, atacar, insultar, depreciar.

Como alguns de vocês já sabem, os comentários aqui no meu blogue não são moderados.
E até hoje, salvo uma pequenina exceção, não tive nenhum problema neste sentido – ainda não sofri nenhuma emboscada.
Mas sei que, mais dia menos dia, vai aparecer alguém disposto a perder seu tempo censurando e enchendo o meu saco, aproveitando-se de um nome ou perfil falso para fazer o que lhe der na telha.
E mesmo quando estes outros aparecerem, mesmo assim eu não vou moderar os comentários.
Sabem por quê?
Porque tenho certeza de que estes sempre serão minoria.
Tenho certeza que, enquanto um aparece para prejudicar, muitos outros vem para colaborar, e são por estes que não podemos vacilar, que não podemos nos deixar intimidar.
Ninguém precisa se derreter em elogios, nem eu nem ninguém está pedindo isso.
Até porque a crítica, quando é saudável e acontece dentro de um contexto adequado, é mais útil que um galanteio.
No entanto, penso eu, é necessário pertinência e um mínimo de educação na hora de soltar o verbo e falar o que bem entender.

A moderação dos comentários do meu blogue não será minha, nunca.
Será de quem vem até aqui.
Será de vocês - que participam desta minha estranha mania de dar opinião sobre todas as coisas - a moderação desta página pretensiosa e metida a besta.
Sempre será de vocês a responsabilidade de ponderar suas opiniões, sua educação, suas idéias, sua livre expressão.
Afinal todos têm o direito de dizer o que pensam.
Mas ninguém precisa ser grosseiro, nem áspero, nem boçal.
E, se você deseja investir contra determinada pessoa, pode fazer, você tem liberdade até para isso.
Mas mostre a cara.
Assuma suas posições.
Assine embaixo.
Mesmo porque o alvo de sua cólera está ali, de peito aberto, dando a cara à tapa.
E atirar pelas costas, vocês sabem: é coisa de gente covarde.