11 outubro 2008

Cada um de nós é um universo.

Tatuei essa frase no meu braço.
Que é para ficar ali, para sempre, para nunca mais me esquecer do quanto somos, todos nós e cada um, completamente diferentes.

Por isso é tão difícil convivermos numa boa.
Porque as pessoas que nos rodeiam pensam diferente.
Agem diferente.
Resolvem seus problemas de um jeito diferente.
E nós ficamos ali, só observando e pensando que, se elas tivessem feito como a gente faria, tudo teria se resolvido para o melhor.

Será?
Será que estamos mesmo cobertos de razão?
Será que somos, verdadeiramente, os donos da verdade?

Não, suponho que não.

Mesmo assim, temos princípios.
Verdades pessoais, opiniões, conceitos.
E muitas (muitas) vezes nossos princípios, verdades, opiniões e conceitos não entram em acordo com os princípios, verdades, opiniões e conceitos dos outros.
Ah, os outros.
É nessa hora que o bicho pega.
É nessa hora que eu preciso olhar para o meu braço direito e ler o lembrete que imprimi ali, para nunca mais esquecer: cada um de nós...
Mas é difícil.
Ô, se é.

Contar até dez e respirar fundo.
Respirar fundo e rever a noção de que o outro não é você, e nunca vai agir pela sua verdade, pois possui a dele.
Respirar fundo e tirar das nossas costas a necessidade de compreender aquilo que está além da nossa compreensão.
Respirar fundo e entender que, o que para nós não passa de uma imensa idiotice, para o outro é de suma importância, e vice-versa.

O pior é que disso tudo eu sei, mas tenho imensa dificuldade de pôr em prática aquilo que me é tão óbvio na teoria.
Culpa da minha tolerância, que não existe.
E por isso eu preciso lembrar (cada um de nós...) todo o tempo, todo o dia, toda a hora, caso contrário terminarei consumida pela minha própria cólera e indignação.

Não adianta tomar veneno e querer que o outro morra envenenado.
Não adianta querer controlar o que está fora do alcance de nosso controle.
Simplesmente não adianta.
Antes de nos meter a querer entender a cabeça dos outros, precisamos olhar para dentro da nossa e, antes de mais nada, dar um jeito de decifrá-la, desbravá-la.
Revira-la para baixo.
É somente este universo que nos cabe conhecer.
Afinal os outros continuarão sendo e pensando exatamente o que são e o que pensam.

Valha-me Cristo.