11 setembro 2008

Não importa o que se dê ao homem. Ele nunca estará satisfeito.

Maldita verdade.
Por exemplo: toda noite, eu tenho vontade de comer chocolate; menos nas noites em que tenho chocolate em casa.
Óbvio.

Reparei isso na semana passada.
Cansada de passar vontade depois das 23h, decidi, ainda de tarde, passar no supermercado e comprar uma caixa de bombom. Desta vez estarei prevenida, pensei, me sentindo esperta. Passadas às 23h, qual não foi minha surpresa ao me pegar desejando comer pão de queijo.
Meu reino por um pão de queijo.
Olhei para os chocolates e os execrei.

Foi então que percebi: somos assim com tudo.
Bastou a gente alcançar, conseguir, ter, possuir e pronto! Perdeu toda graça.
E é por esta razão que somos tão infelizes e insatisfeitos.
Nossa vida é como um estômago sem fundo: não importa o quanto de comida ingerimos; estamos sempre com fome.

Somos muito imbecis mesmo.
E nos achamos, o que é pior.
Desde o chocolate que perdeu a graça até grandes projetos realizados, não adianta: é sempre a mesma história.
A gente esquece até do quanto aquilo desejou.

Então pensei: no momento, o que mais quero na vida é publicar meu livro.
Certo.
Sejamos otimistas e imaginemos que eu consiga.
E daí?
Como vai ser?
O que mais vou querer depois de alcançar o que mais quero nessa vida?

Eu sei, isso é ambição.
É o que faz a humanidade evoluir.
Mesmo assim, acho que exageramos.

É evidente que precisamos ter sempre algo a alcançar, caso contrário nossa existência perderia também sua razão. Mas não é por isso que devemos nos cegar para aquilo que já é nosso, seja o amor de outra pessoa ou um tênis novo.
Queremos demais e queremos o tempo inteiro.
Definitivamente: imbecis.
Todos nós.