06 setembro 2008

Morreu Fausto Wolff.

Acordei hoje pela manhã e, antes de escovar os dentes, tomar um café preto e acender meu primeiro cigarro, desnorteada li a pequena chamada do jornal: aos 68 anos, Fausto passou desta para melhor.
Então eu chorei.
Sentei na mesa da cozinha – minha xícara com café fumegando - e chorei.
Até soluçar, até ficar com os olhos vermelhos e a cara inchada; chorei por não ter podido conhecê-lo pessoalmente, nem lhe dizer o quanto incrível são os seus escritos e o quanto seus livros abriram as portas da percepção para mim; chorei porque não vou ter a chance de tomar uma cerveja nem devorar uma fritada de lambaris com o velho lobo do Pasquim.

Morreu o Fausto Wolff e, por mais exagerado que isso possa parecer, eu o carregava comigo tal e qual um velho companheiro.
Nosso contato, é bem verdade, não passou de algumas correspondências despretenciosas de minha parte, ao qual Wolff sempre respondeu, prontamente.
Para mim era a glória: abrir minha caixa de e-mail e ver as respostas sempre gentis de Fausto às minhas dúvidas infantis de aspirante a escritora.
Queria ser como ele.
Escrever como ele.
Viver como ele.
E queria ter tido a chance de lhe dizer tudo isso, pessoalmente.

Por isso hoje eu choro.
Choro como quem chora por um amigo de quem vai sentir saudades.
Choro como quem chora por um tio querido, que não vai mais aparecer para a ceia de natal.
Choro como o acrobata, que pede desculpas e cai.
Choro por esta estranha sensação de orfandade, que tomou conta de mim desde hoje de manhã, quando li a chamada avisando que Fausto Wolff morreu.

Que os anjos da boêmia te levem em seus braços aconchegantes, e te façam sentar em uma mesa de bar celestial, e que de lá possamos te ouvir falar sobre vida e sobre morte, e sobre como uma centopéia também é Deus.
Cem poemas e uma canção despreocupada para ti, gaiteiro velho.

Vai em paz, amigo.
Até breve.