05 setembro 2008

Desabafo.

Este não é um texto engraçadinho.
Não, não é.
Se estiver a fim de dar risada, vá ler as tirinhas do jornal.
E desde já, me desculpe o mau jeito.
É que hoje eu estou puta da cara.

Ontem de noite, vivi (mais) uma situação absurda no condomínio onde moro.
Aliás, absurda é pouco.
Para o que aconteceu, ainda não existe nome.

Por causa de duas vizinhas (e não é aquela do Sandy e Júnior, calculem) passei eu, meu maridinho e meus amigos por momentos angustiantes e desnecessários, que envolveu troca de identidade, polícia, ataque nos corredores e promessas de morte (de minha parte, é claro).
Tudo porque as imbecis confundiram um dos meus (melhores e maiores) amigos com um bandido.
Sim.
Aconteceu.

Não vou descrever aqui a coisa toda (óquei, entendo a sua curiosidade, mas lembre-se de que ela já matou o gato), menos ainda vou citar nomes.
Porque, a bem da verdade, isso não importa.
O que importa é que eu estou puta da cara.


Sabem, pode até não parecer, mas costumo ser muito tolerante com as pessoas.
Procuro relevar, ponderar, refletir, pensar pelo outro lado, controverter, analisar; chego quase a justificar as imbecilidades alheias.
Faço isso, não por nobreza, muito longe disso.
Faço única e exclusivamente por mim.
Procuro entender os outros, e seus erros e falhas, porque também tenho os meus erros e falhas, e não é lá muito ortodoxo apontar o dedo embaixo de um teto de vidro.
Mas tem determinadas coisas que simplesmente não dá para relevar-refletir-ponderar.
Porque estão além da tolerância, além de qualquer forma de compreensão.
Determinadas coisas que você não consegue engolir porque simplesmente jamais seria capaz de fazer.

Estou puta da cara porque não tem como estar de outro jeito.
No entanto, logo a raiva vai passar e então eu sei: vou ficar triste.
Pelas pessoas e suas miudezas, pelo vazio que existe em algumas vidas que, de tão imenso, parece não ter mais fim.
Triste pelo jeito minúsculo delas verem a vida, e sua enorme ignorância e falta de grandeza e covardia.
Triste por saber que essa gente anda por aí, para cima e para baixo, a vida inteira, como moscas em volta da merda: sem rumo, sem nada para falar, sem nada para pensar, sem nada para fazer.
Resumindo suas existências a bisbilhotar e criar burburinho.
Certamente se ocupassem suas cabecinhas com qualquer coisa útil, se tivessem algum outro interesse em suas vidas além de seus próprios umbigos, se parassem de espiar os outros pelo olho mágico e aumentassem um mínimo sua auto-estima, quem sabe?

Quando a raiva passar eu vou ficar triste.
Triste por muito tempo.
Senhor, piedade.