15 agosto 2008

.plunct, plact, zum.

Quem me conhece, sabe: não levo o menor jeito com criança.
Com certeza porque não convivo com nenhuma, há bastante tempo.
No entanto, fui convidada para ministrar uma oficina de poesia para turmas de quarta e quinta série, na feira do livro de Não-Me-Toque.
Aceitei, é claro, porque quando se trata de trabalho, eu digo sim antes de saber do que se trata. Mas depois fiquei pensando: porra, como vou dar uma oficina para um bando de crianças???
É claro, me bateu mil inseguranças. E isso é até engraçado, tendo em vista que já trabalhei com universitários e não me senti nem um pouco hesitante, se comparado com agora.
Deve ser porque criança não manda dizer, e se elas não forem com a tua cara, vão deixar isso muito claro para você.

Enfim.
O que quero contar é que, com esta história de oficina, acabei me reaproximando de um universo que até muito pouco tempo atrás era o meu universo. Voltei a ler muita historinha de bruxa, poema, gibis, conto de fadas, tudo na tentativa de apresentar para essa meninada uma oficina realmente bacana.E qual não foi minha surpresa quando me peguei escrevendo poesia para crianças?
Sim, senhoras e senhores, logo eu, agora metida em literatura infantil também.

Óbvio que dou aqui meus primeiros passos.
Mas estou gostando tanto, mas tanto, que sinceramente não pretendo parar mais.
Agora agüentem.


Não há nada mais vermelho
Que duzentas rosas
Refletidas no espelho.
*
Não há nada mais brilhante
Que o diamante
No dedo da cartomante
*
Não há nada mais pesado
Que três elefantes sentados
Comendo amendoim.
*
Não há nada mais transparente
Que a água correndo contente
Pelo rio.
*
Não há nada mais quente
Que o sol incandescente
Na metade do dia.
*
Não há nada mais bela
Que a chama da vela
Dançando para a luz que se apagou.

*

Sim, senhor.
De casaco de bolinha
De calça de listra
De gravata comprida,
Este é o senhor Aníbal Caratinga.

Seu sorriso disfarça
Talvez outros sentimentos
Traz escondido flores
Para a moça em sofrimento.

*

Menina Colorida
Aquela menina ali, parada
Embaixo da luz que brilha
Saberá ela os segredos
De todas as pessoas as pessoas dessa vida?

Espera alguém? Alguém a espera?
O que faz ali parada, tão bela?
Será o príncipe que ela aguarda?
Será o sonho que ela enterra?


*

Cara: adoooro.