22 agosto 2008

Feira do Livro em Não-Me-Toque

E não é que a oficina acabou sendo bem bacana?
O dia amanheceu chovendo, e duas noites antes eu simplesmente não consegui dormir (acho que desenvolvi uma gastrite); mas no final tudo deu certo.
Confesso: nunca me vi tão nervosa. E olha que já me vi N vezes em situações capazes de arrebentar com meus nervos: já apresentei monografia, dei oficina na faculdade, bati boca no meio da rua, mas trabalhar com crianças simplesmente deixou arrepiado até os pêlos do meu nariz.

O que reparei:
Primeiro: é impressionante e absolutamente incrível acompanhar o tamanho da imensa sinceridade de uma criança. No final da última oficina da tarde, a meninada se reuniu em volta de mim, e a gente ficou ali, trocando uma idéia. Quer dizer, eu fiquei esmagada entre todos eles, tentando desesperadamente acompanhar a conversa de cada um, sendo que todos conversavam ao mesmo tempo, cada um falando de assuntos completamente diferentes. E atrás de mim uma espoletinha chamada Juju imitava minhas caras e bocas.
Enquanto uma menina me contava que havia tirado dez em matemática, outra atrás dela olhava para mim e, através de gestos, explicava-me que tudo não passava de lorota. Outra contava uma história, quando inesperadamente era interrompida por uma terceira, que dizia, na lata: ah, cala a boca, tu é muito chata.
Rárárá. Nossa, me diverti muito.
Não demorou nem cinco minutos e toda a minha ansiedade desapareceu. Simplesmente impossível usar qualquer máscara na frente de tanta gente desmascarada.

Então pensei: merda! Logo eles vão crescer e, assim como todos nós, vão perder essa sinceridade genuína e fantástica, que os tornam seres muito maiores e melhores que nós. Não demora, entrarão para o Clube da Hipocrisia, e acabou-se o que era doce. Tem quem diga que, sem a hipocrisia, não existiria a civilização. Será?
Enfim.

Segundo: é igualmente impressionante o papel do professor na formação dos seus alunos. Notei que as turmas mais ativas e mais interessadas, possuem também os professores mais ativos e interessados. A recíproca é verdadeira.

E ainda vai rolar um projeto bacanéééérrimo sobre literatura infantil.
Aguardem.


Ah! É claro que tirei fotos. Bem, não exatamente eu, mas uma professora que preciso localizar para que me envie as ditas-cujas. Daí posto aqui. Sem falta.

Resumo da ópera: conheci pessoas bem legais, revi outras mais legais ainda, curti essa onda com a meninada e agora estou aqui, podre de cansada e dura de adrenalina.
Mas feliz.