04 agosto 2008

Coletividade.

Andei pensando sobre isso.
Um negócio pra lá de perigoso, se pensarmos bem.
Afinal, é graças a ela que assistimos e cometemos pequenos e grandes despautérios diariamente, achando que somos súúúúper-normais.

Vou dar um exemplo: guirlanda de natal.
Por quê?
Qual o sentido de pendurar aquele negócio esquisitíssimo - que lembra claramente um coroa de flores - na porta de casa?

E a toga, nas colações de grau?
É horrível, apertado e sem graça, além de ridículo (as plumas do chapeuzinho me dão dor de barriga).

Se bem que, na minha opinião, a pior de todas (disparado) ainda é a tocha olímpica.
É o ó do borogodó no quesito nonsense.

A lista segue, é claro: quando alguém morre, todo mundo repete “meus pêsames”; quando alguém espirra, tem sempre alguém para dizer “saúde”; quando é sexta-feira santa, não dá para comer carne e quando chega abril a gente ganha uma cesta com ovos de chocolate de um coelho (!!!).

Coisas que fazemos e consentimos sem nem questionar.

Eu sei que são tradições e blábláblá, e se formos pesquisar no Wiquipedia haveremos de encontrar respostas claras para essas dúvidas terríveis.
Mas que são pra lá de estranhas, isso você precisa admitir: são.

Na tradição Franciscana, por exemplo, quando alguém morre ninguém entra em luto – muito pelo contrário. O que é velório pra gente, para eles é festança, regada a muita bebida, música, jogos e comida.
Lá a morte significa o momento em que acabamos de nascer definitivamente.

Tudo não passa de uma questão de contexto: quanto mais pessoas compactuam da mesma idéia, mais natural tudo parece.

Posso apostar que, se fosse tradição pendurar um balde na porta de casa toda vez que alguém da família tivesse dor de barriga, a gente ia fazer e achar muito natural.

Nós, humanos.
Às vezes eu canso.