18 julho 2008

AAAH!

Grita
o grito honesto dos desesperados, dos sem culpas, dos apaixonados;
de todos aqueles que abriram a porta que você não abriu.

Vomita
o vomito seco dos desistentes;
do soldado que entregou seu escudo e sua espada,
da menina que antecipou a morte do rei.
O amargo da boca de quem não pode mais dormir em paz;
porque não existe paz.

Sonhe
o sonho ruim das noites sem luzes
sem lua, rua vazia, cabeça cheia demais para voltar para casa.
Do tempo que parou.
De homens desiludidos, em fuga, com sede, mal ditos.
O sonho que sonham os que estão acordados.

Sinta
a cólera que só sente quem já morreu uma vez, e voltou.
Dos que olharam nos olhos a besta fera.
Do sentimento que só é pleno no alto do cume da montanha mais alta e fria e triste
de todas as montanhas altas e frias e tristes deste mundo que não sente mais.

Cante o canto maldito que evoca os mortos.
Passeie pelo seu lado sombrio.
Beba a água daquela fonte.
Voe junto aos morcegos.

Os pingos da chuva nunca mais poderão te afogar.