26 junho 2008

Uma placa avisa para não pisar na grama

mas sigo sossegada, pois sequer tenho os pés no chão.
Vou caminhando pelo gramado verde
de um lugar
onde encontrei
um pote de ouro.
No final do arco-íris,
que surgiu daquela chuva
que lavou o mundo inteiro.

Onde eu moro,
guardamos com cuidado os sorrisos recebidos,
pois todos são de graça, não escondem um plano nem uma intenção.
Já aprendemos que saber e não fazer, ainda é não saber.
Que vivemos para amar – e caso a vida acabe, o amor ainda permanecerá.

Não contamos dinheiro aqui.
Não exigimos que as pessoas e suas coisas caibam em nossos apertados modelos.
Ninguém acredita no mal;
enquanto aí você é escravo de papéis sujos
e de um relógio apressado
pendurado na parede,
aqui não existe dor,
e quando chove,
a gente dorme até mais tarde.

Se voa,
se vive à toa,
e isso não é errado
nem é defeito.

Ninguém segue,
ninguém persegue
ninguém proíbe,
ninguém ordena.
Aqui respeitamos quem da gente discorda;
e não há doentes
nem angústia
nem saudade
nem fotografias sem bastidores.

- Nossos sorrisos francos, senhoras e senhoras,
são francos de verdade;
quando saímos ao mundo pela primeira vez,
carregávamos nos bolsos um pouco de dignidade.

Hoje não tem espetáculo, não senhor.
Nosso rei não está nu,
pois não temos um rei.
Ninguém aqui odeia a diferença.
Ninguém aqui adora a perfeição.

Crimes contra a própria essência não são cometidos.
Por isso não há leis,
não há juiz,
não há condenados,
não há prisões.
Não é necessário.

Mas,
evidentemente,
você não sabe do que eu estou falando.

Então peço
que tenham piedade do seu imenso vazio.
Porque você não vê a torre;
Não ouve o mestre;
Não conhece o lobo;
Nunca visitou a taberna da estepe;
Não enxerga o futuro;
Não acredita em milagres;
e isso deve ser muito triste.

Você tem moedas de ouro guardadas em cofres
e corações e almas e sonhos esquecidos na sarjeta.