26 junho 2008

Madalena

Que espécie de garota você é, Madalena?
Daquelas que se negam a dançar
ou as outras,
que vivem só para morrer de amor?

Madalena, onde foi parar aquele sonho?
No fundo daquele sótão, esquecido naquela mesa de bar?
Perdeu-se numa rua suja, numa noite suja?
Onde foi parar?

Madalena, onde se escondeu a garota que ia mudar o mundo?
Que ia derrubar o muro?
Que ia arrancar a roupa do rei?
Cadê quem ia sacar a bandeira do quintal, jogar fora o velho sofá?

O que você espera, Madalena?
Dançando em teto de vidro,
tentando consertar o violino para aprender a tocar?
É daquelas que não falam com estranhos
ou as outras,
apaixonadas por quem nem conhecem?

A verdade só te assusta porque você não a deixa entrar;
O barulho na cozinha é um rato sobre a pia;
O homem só é nobre porque é o próprio Deus;
O cavalheiro que lhe tira para dançar não deseja lhe amar para o resto da vida, não.
Embaixo da máscara existe um rosto e agora?
O que fazer?

Sem nenhuma verdade no bolso, Madalena
Você corta a rua principal.
*