26 junho 2008

Assassinos sem corpos

Prostitutas sem colchão.
Viciados sem dependência.
Doentes sem doença.
Artistas sem janelas.
Milagreiros sem visão.
Ricos sem fortuna.
Criminosos sem pecado.
Malandragem comportada.
Revolução muda.
Líderes sem palanques.
Escritores sem biografia.
Ciganos apegados.
Poetas sem musas.
Lunetas quebradas.
Heróis covardes.
Bêbados sem sarjeta.
Gentileza bruta.
Escravos sem punição.
Corajosos aleijados.
Cantores sem melodia.
Muros de areia.
Bons calados.
Banquetes de sucata.
Gritos de violência muda.
Bailarinas sem pés.
Pintores sem sol.
Inocentes sem álibi.
Relógios sem tempo.
Pianistas sem mãos.
Fúria sem castigo.
Pecadores sem culpa.
Santos sem pedestais.
Curiosos sem novidades.
Pontes de açúcar.
Chuva de gasolina.
Fantasia de palhaço em festa de noite cortês.



Inesperadamente,
o tempo destrói tudo.